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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Acontecimentos no ano 1910 (1ºParte)


  • O caso do Crédito Predial Português
Ainda o caso Hilton estava quente, quando no dia 1 de Maio foram reveladas graves irregularidades na Companhia Geral do Crédito Predial Português, pois desde 1905 corriam rumores de falência.

Por aquela instituição tinham passado muitos políticos dos dois partidos monárquicos e que tal como na vida política tinham passado em rotativismo pela direcção daquela instituição.

As irregularidades apontavam para a falência, correspondendo ao facto das verbas do activo não cobrirem o passivo, entre outras questões relacionada com a emissão excessiva de obrigações.

A imprensa, nomeadamente a republicana dava eco à situação. O ministério de Veiga Beirão não estava directamente envolvido apenas o seu ministro da justiça Artur Montenegro, pertencia ao conselho fiscal e até José Luciano de Castro o líder progressista era governador desta instituição bancária.

O guarda-livros Oliveira Quintela acabou por confessar como falsificara as contas do banco, para disfarçar a sua longa decadência, exagerando e emissão obrigacionista e falsificando os próprios resultados, para mascarar prejuízos

Para salvar a instituição agora só restava um empréstimo do Banco de Portugal, mas esse empréstimo acabou por ser negado. O que consistia um grave revés para o governo, atendendo a que a sua constituição fora patrocinado por Luciano de Castro o chefe progressista e também governador do Banco.

Por esta razão o governo não queria que o assunto chegasse ao parlamento na sua reabertura, tentando um acordo entre regeneradores e progressistas, que não viabilizaram o que Veiga Beirão pretendia.


  • Congresso Republicano no Porto

Teve eco na imprensa a realização do congresso ordinário do Partido Republicano na Associação Comercial da cidade do Porto.

Não deixaram de marcar presença José Relvas, Afonso Costa, Eusébio Leão, Duarte Leite, Bernardino Machado, António José de Almeida e Alfredo de Magalhães.

À medida que se acentuam os sintomas duma transformação, tão próxima já, que o velho edifício político se disjunta de momento para momento, crescem de importância as reuniões democráticas desta natureza. (…)
Porquê? É que outrora o Partido Republicano limitava-se a abalar, a bater de frente, a pretender arrasar essa instituição secular que ele sentia ser nefasta ao engrandecimento do País. A sua obra era de destruição, embora em nome da salvação da Pátria portuguesa. (…)
À obra de destruição foi preciso juntar, portanto, a obra de organização partidária, que veio a ser a base da sua acção reconstrutiva. (…)
Estabelecer enfim as bases, por assim dizer, de um Portugal novo é a obra superior dos congressos. O do Porto, que hoje se inaugura tem, por tudo isto, um interesse especial.” Apresentando-se como o “prenúncio feliz da vitória definitiva da Democracia e da Liberdade.”

Assim se referia o O Século nº 10 191, 29 de Abril de 1910, p. 1.

ou ainda

Guerra Junqueiro, que presidiu à sessão de encerramento, resumiu no seu discurso as principais ideias debatidas ao longo do congresso, afirmando que “em Portugal, a questão política é aquela de que dependem todas as outras questões. Só a República pode salvar o País; a monarquia condu-lo totalmente à ruína (...).

Há monarquia e monarquias, como há repúblicas e repúblicas (...).

A nação portuguesa não pode ter esperança na monarquia. Uma monarquia recomenda-se pelas duas dinastias e estas pelo seu valor histórico e pelo seu valor individual. A dinastia que produza uma série de Reis com acção política de benefícios, desperta no país sentimentos de gratidão, e por isso se conserva. A dinastia não dá esse fruto, e a dinastia desaparece. E como é a dinastia actual? A dinastia de Bragança, disse-o Oliveira Martins, é uma dinastia de loucos e de maus. (...) E é por isso que o povo português só pode ter esperança no partido republicano, que não é um partido, mas a aspiração funda da nacionalidade.”


Fonte: O Século nº 10 193, 2 de Maio de 1910, p. 3.

sábado, 10 de julho de 2010

O caso Hilton


Depois da reabertura das cortes, reiniciaram-se os ataques ao governo em especial ao ministro da justiça Artur Montenegro ainda devido ao caso do bispo de Beja e dos irmão Ançã, pelo que as sessões parlamentares se desenrolavam no meio da maior desordem. Só em 14 de Fevereiro é publicado o decreto que confirma a demissão dos irmão Ançã.

A este problemas clericais, vieram juntar-se outros de ordem económica sobre o monopólio da compra do açúcar da Madeira.

Conhecida como a questão Hilton, remontava já a 1895, quando para minimizar efeitos da crise da Madeira o governo decretara por 5 anos que em condições favoráveis, podiam ser importados melaço, açúcar e álcool provenientes daquela região.

O regime manteve-se até 1903, quando as condições foram renegociadas mas que a firma britânica Hilton, monopolista da exploração da cana de açúcar, pretendia que fosse criada uma cláusula que tornasse aquelas medidas válidas por 15 anos.

Em 1904 acabou por ver incluída no orçamento a tal cláusula dos 15 ano, ao que parece de forma não muito transparente.

Em Março de 1909, no ministério de Campos Henriques foi feito um novo regulamento sobre o açúcar da Madeira, que não contemplava o que foram reproduzido em 1904 e que deveria segundo as fábricas Hilton manter-se pelo menos até 1919.

O arrastar da questão começou a levantar junto da imprensa republicana suspeitas de comprometimento e suborno de alguns políticos monárquicos influentes. Em Abril de 1910 já no ministério de Veiga Beirão a oposição regeneradora pôs na câmara dos Deputados uma moção, convidando o governo a suspender o tal regulamento de 1909 e nomear uma comissão para para estudar a questão.

Veiga Beirão não aceita mas endereça o assunto para o rei. No dia 21 de Abril, Afonso Costa, anuncia no parlamento que tem seu poder cartas altamente comprometedoras para o regime e que se propunha lê-las na sessão seguinte.

A essa sessão duma forma muito pouco inteligente o governo de Veiga Beirão não comparece e afinal as cartas não tinham a importância que habilidosamente Afonso Costa lhes dera, mas produzira o seu efeito e por proposta de Egas Moniz, votou-se a realização dum inquérito, que investigasse profundamente toda esta questão do caso Hilton




terça-feira, 6 de julho de 2010

Acontecimentos no ano de 1909(7ª parte)


No regresso das viagens a Inglaterra e a França, ao rei depara-se o agravamento da crise governamental e pelo crescendo da oposição republicana, consubstanciada na vitória conseguida em 122 juntas de paróquia no dia 29 de Novembro e que condicionaram a demissão do governo de Wenceslau de Lima.

Depois de consultar como habitualmente Luciano de Castro, decidiu confiar a chefia do novo governo a Veiga Beirão, que constituiu um governo inteiramente progressista e portanto mais homogéneo do que os anteriores.

Era a seguinte a sua constituição

  • Tenente coronel Francisco Felisberto Dias Costa no reino.
  • Artur Montenegro na justiça.
  • General José Matias Nunes na guerra.
  • Capitão de mar e guerra João António de Azevedo Coutinho na marinha e ultramar.
  • António Eduardo Vilaça nos estrangeiros.
  • José António Moreira Júnior nas obras públicas.
Governo que tomou posse a 22 de Dezembro de 1909 Todos os ministros eram do partido progressista e todos com experiência governativa.

informação recolhida do portal da iscsp.
  • A demissão de Júlio Vilhena

Por não ter sido escolhido, Júlio de Vilhena abandonou a chefia dos regeneradores em 23 de Dezembro.

Esta decisão viria a ter consequências no ano seguinte, provocando uma cisão naquele partido, há muito anunciada mas que tinha agora pretexto para se concretizar. Os membros mais liberais agrupar-se-iam em torno de Teixeira de Sousa, enquanto os mais conservadores davam o seu apoio a Campos Henriques e que naturalmente virá a ser explorado pela propaganda republicana, mostrando a ineficácia e desagregação dos partidos monárquicos.

domingo, 20 de junho de 2010

A viagem a França e os amores com Gaby Deslys



De Inglaterra D.Manuel II seguiu para Paris, numa visita não oficial em que se demoraria 5 dias. Muito embora o carácter particular da visita, não deixou de ser recebido pelo presidente Fallières e pelo presidente do conselho Briand.

Mesmo em França os receios contra eventuais atentados, não cessavam e durante uma recepção à colónia portuguesa o ministro de Portugal em Paris o conde de Santa Rosa, foi informado pela polícia francesa que havia movimentações para um atentado contra a vida do rei, o que pôs fim ao encontro, tendo sido D-Manuel levado para o Hotel Bristol onde estava hospedado.

O interessante nesta viagem foi o facto de el-rei ter conhecido uma actriz e bailarina de nome Gaby Deslys, com quem viria a ter um romance, muito noticiado nas páginas dos jornais e claro muito difundido pelos republicanos.

A verdade é que se constava que D-Manuel lhe oferecia presentes caros, entre eles um colar de pérolas avaliado em 70 mil dólares, entre outros presentes caros.

O encontro dera-se no final dum espectáculo, quando o rei se deslocou ao camarim da actriz e desde essa altura nunca deixou de visitar, como por exemplo no ano seguinte em Maio de 1910 quando no regresso do funeral de Eduardo VII, D. D.Manuel, deu um saltinho a Paris para rever Gaby.

Também constava que ela o visitara algumas vezes e que entre as prendas de luxo constava um automóvel

Eis um pequeno filme contendo a voz de Gaby em duas canções da época. Ela viria a morrer jovem com 38 anos, em 1920, deixando considerável fortuna em testamento aos pobres de Marselha e uma casa entregue a uma instituição de caridade


segunda-feira, 7 de junho de 2010

As viagens a Espanha e Inglaterra



A 7 de Novembro, D.Manuel II, parte em viagem porque decidiu aceitar convites que lhe havia sido endereçado e que para o rei tinham objectivos bastante precisos, nos campos diplomáticos e políticos.

A comitiva real era composta por Carlos Roma du Bocage, Ministro dos Negócios Estrangeiros, por parte do governo e o conde de Sabugosa o mordomo-mor, o ajudante-de-campo, D.Fernando Serpa Pimentel, o secretário, o marquês do Lavradio e o médico Dr. Mello Breyner, conde de Mafra, entre outro staff.

Entretanto em Portugal o seu tio o infante D.Afonso ficou como regente.

Em Madrid foi recebido por Afonso XIII e viria a permanecer por ali durante 4 dias onde para além da parte lúdico-folclórica, D.Manuel não esqueceu os seus objectivos, no sentido de estreitar as relações comerciais entre os dois países, em especial a cortiça

Também a questão do casamento de D.Manuel foi abordada, manifestando Afonso XIII vontade que o casamento do nosso rei aconteça com uma princesa inglesa.

De Espanha a comitiva real partiu para Inglaterra, onde depois do desembarque em Portsmouth e da recepção pulo Príncipe de Gales, partiram para Windsor, onde a comitiva portuguesa foi recebida pelo rei Eduardo VII, pelo governo e pela alta nobreza britânica.

Por entre as festas e recepções e da atribuição da Ordem da Jarreteira ao nosso rei, de novo a questão do casamento veio à tona perfilando-se 3 possíveis noivas, Victória Patrícia filha do influente duque de Connaught, Maud filha do duque de Fife e uma filha do duque de Edimburgo.

Contudo o problema religioso, afastou essa possibilidade, nomeadamente com Maud, com cuja família as negociações estiveram adiantadas.

Os receios era que as suas filhas por força do casamento com um rei católico se vissem constrangidas a abandonar os seus princípios religiosos anglicanos

O Partido Republicano Português a quem desagradavam a mercês que o rei era alvo e também a eventualidade do casamento com uma princesa inglesa, moviam por intermédios das lojas maçónicas no sentido de dificultar essas iniciativas, insistindo na divulgação da ideia das dificuldades da coroa e de Portugal, que conduziriam á sua queda em breve anunciada.