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terça-feira, 6 de julho de 2010

Acontecimentos no ano de 1909(7ª parte)


No regresso das viagens a Inglaterra e a França, ao rei depara-se o agravamento da crise governamental e pelo crescendo da oposição republicana, consubstanciada na vitória conseguida em 122 juntas de paróquia no dia 29 de Novembro e que condicionaram a demissão do governo de Wenceslau de Lima.

Depois de consultar como habitualmente Luciano de Castro, decidiu confiar a chefia do novo governo a Veiga Beirão, que constituiu um governo inteiramente progressista e portanto mais homogéneo do que os anteriores.

Era a seguinte a sua constituição

  • Tenente coronel Francisco Felisberto Dias Costa no reino.
  • Artur Montenegro na justiça.
  • General José Matias Nunes na guerra.
  • Capitão de mar e guerra João António de Azevedo Coutinho na marinha e ultramar.
  • António Eduardo Vilaça nos estrangeiros.
  • José António Moreira Júnior nas obras públicas.
Governo que tomou posse a 22 de Dezembro de 1909 Todos os ministros eram do partido progressista e todos com experiência governativa.

informação recolhida do portal da iscsp.
  • A demissão de Júlio Vilhena

Por não ter sido escolhido, Júlio de Vilhena abandonou a chefia dos regeneradores em 23 de Dezembro.

Esta decisão viria a ter consequências no ano seguinte, provocando uma cisão naquele partido, há muito anunciada mas que tinha agora pretexto para se concretizar. Os membros mais liberais agrupar-se-iam em torno de Teixeira de Sousa, enquanto os mais conservadores davam o seu apoio a Campos Henriques e que naturalmente virá a ser explorado pela propaganda republicana, mostrando a ineficácia e desagregação dos partidos monárquicos.

domingo, 20 de junho de 2010

A viagem a França e os amores com Gaby Deslys



De Inglaterra D.Manuel II seguiu para Paris, numa visita não oficial em que se demoraria 5 dias. Muito embora o carácter particular da visita, não deixou de ser recebido pelo presidente Fallières e pelo presidente do conselho Briand.

Mesmo em França os receios contra eventuais atentados, não cessavam e durante uma recepção à colónia portuguesa o ministro de Portugal em Paris o conde de Santa Rosa, foi informado pela polícia francesa que havia movimentações para um atentado contra a vida do rei, o que pôs fim ao encontro, tendo sido D-Manuel levado para o Hotel Bristol onde estava hospedado.

O interessante nesta viagem foi o facto de el-rei ter conhecido uma actriz e bailarina de nome Gaby Deslys, com quem viria a ter um romance, muito noticiado nas páginas dos jornais e claro muito difundido pelos republicanos.

A verdade é que se constava que D-Manuel lhe oferecia presentes caros, entre eles um colar de pérolas avaliado em 70 mil dólares, entre outros presentes caros.

O encontro dera-se no final dum espectáculo, quando o rei se deslocou ao camarim da actriz e desde essa altura nunca deixou de visitar, como por exemplo no ano seguinte em Maio de 1910 quando no regresso do funeral de Eduardo VII, D. D.Manuel, deu um saltinho a Paris para rever Gaby.

Também constava que ela o visitara algumas vezes e que entre as prendas de luxo constava um automóvel

Eis um pequeno filme contendo a voz de Gaby em duas canções da época. Ela viria a morrer jovem com 38 anos, em 1920, deixando considerável fortuna em testamento aos pobres de Marselha e uma casa entregue a uma instituição de caridade


segunda-feira, 7 de junho de 2010

As viagens a Espanha e Inglaterra



A 7 de Novembro, D.Manuel II, parte em viagem porque decidiu aceitar convites que lhe havia sido endereçado e que para o rei tinham objectivos bastante precisos, nos campos diplomáticos e políticos.

A comitiva real era composta por Carlos Roma du Bocage, Ministro dos Negócios Estrangeiros, por parte do governo e o conde de Sabugosa o mordomo-mor, o ajudante-de-campo, D.Fernando Serpa Pimentel, o secretário, o marquês do Lavradio e o médico Dr. Mello Breyner, conde de Mafra, entre outro staff.

Entretanto em Portugal o seu tio o infante D.Afonso ficou como regente.

Em Madrid foi recebido por Afonso XIII e viria a permanecer por ali durante 4 dias onde para além da parte lúdico-folclórica, D.Manuel não esqueceu os seus objectivos, no sentido de estreitar as relações comerciais entre os dois países, em especial a cortiça

Também a questão do casamento de D.Manuel foi abordada, manifestando Afonso XIII vontade que o casamento do nosso rei aconteça com uma princesa inglesa.

De Espanha a comitiva real partiu para Inglaterra, onde depois do desembarque em Portsmouth e da recepção pulo Príncipe de Gales, partiram para Windsor, onde a comitiva portuguesa foi recebida pelo rei Eduardo VII, pelo governo e pela alta nobreza britânica.

Por entre as festas e recepções e da atribuição da Ordem da Jarreteira ao nosso rei, de novo a questão do casamento veio à tona perfilando-se 3 possíveis noivas, Victória Patrícia filha do influente duque de Connaught, Maud filha do duque de Fife e uma filha do duque de Edimburgo.

Contudo o problema religioso, afastou essa possibilidade, nomeadamente com Maud, com cuja família as negociações estiveram adiantadas.

Os receios era que as suas filhas por força do casamento com um rei católico se vissem constrangidas a abandonar os seus princípios religiosos anglicanos

O Partido Republicano Português a quem desagradavam a mercês que o rei era alvo e também a eventualidade do casamento com uma princesa inglesa, moviam por intermédios das lojas maçónicas no sentido de dificultar essas iniciativas, insistindo na divulgação da ideia das dificuldades da coroa e de Portugal, que conduziriam á sua queda em breve anunciada.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Acontecimentos no ano de 1909(6ªParte)

  • Outubro,10-Conflito entre o Bispo de Beja e o Ministro da Justiça
O Bispo de Beja, Sebastião Leite de Vasconcelos, demitiu dois professores do Seminário, o padre Manuel Ançã que, por motivos de disciplina, fora suspenso das suas funções de escrivão da Câmara Eclesiástica, e o seu irmão, cónego José Maria Ançã, que o apoiara.

A verdade porém é que para além dos boatos sobre a conduta imoral do cónego o certo é que os problemas do seminário de Bejo já se arrastavam há muitos anos, nomeadamente desde que os irmãos Ançã assumiram funções de reitor e José Manuel de perfeito.

Assumindo a responsabilidade de reestruturação e reabertura do do referido seminário, entretanto encerrado Leite de Vasconcelos, tentou faze-lo, razão porque optou pelo afastamento deles, reabrindo o estabelecimento e só depois viria a informar o governo da sua decisão.

O ministro da Justiça, Francisco José de Medeiros, invocando a prerrogativa da Coroa (lei de 28 de Abril de 1845), segundo a qual o facto devia ter-lhe sido comunicado previamente, exigiu a recondução dos dois professores. O bispo não cedeu, o Governo não quis impor-se e o Ministro pediu a demissão.

O bispo de Beja, nestas circunstâncias invadiu arbitrariamente as prerrogativas do poder civil,segundo opinião do Ministro da Justiça que pretendeu que a lei se cumprisse
mas o Presidente do Conselho e o Rei colocaram se ao lado do Bispo, o que levou ao pedido de demissão do Ministro, substituido então por Artur Montenegro que publicou uma portaria dando razão ao bispo de Beja
  • Decreto que regulamenta as condições de segurança do trabalho na construção civil
A forma que os governos liberais, dessa época tinham de lidar com os antagonismos de classe que opunham patrões e trabalhadores era através do que se chamava "lwgislação social", procurando-se deste modo ir melhorando as condições de vida dos trabalhadores.

O antagonismo entre os partidos socialista e republicano pela captação das simpatias dos trabalhadores, levou a que D.Manuel face ao crescimento do Partido Republicano, tenha pensado que incrementando um pouco mais o seu apoio aos Socialista, desviaria um pouco mais a rescente aproximação daqueles aos republicano.

Assim e a expensas suas chamou a Lisboa o sociólogo Léon Poinsard, para vir observar as condições de vida no nosso país.Os pareceres foram muito negativos.Dizendo coisas como "Portugal está reduzido à falência, acabrunhado sob o peso dum fisco absurdo e mantido numa horrível situação de abandono e de atraso da qual não pode ainda saír, apesar de todos os esforços e sacrifícios de alguns homens de acção.

Foi nesta prespectiva que D.Manuel entendeu sugerir que o governo apoiasse o Congresso Operário de Lisboa e o referido Partido Socialista recentemente reorganizado em torno de Aquiles Monteverde, com quem o próprio Rei inicira correspondência.

Como já anteriormente referi, por outras razões ou pelas "velhas razões" não foi possível encontrar entre as diversas facções "socialista" a unidade requerida no dito Congresso, mas não foi por certo por razões alheias ao dito relatório Poinsard, que o governo intento um eleborar um decreto regulamentador das condições de segurança do trabalho para a indústria da construção civil, porém perante a ameaça de lock-out dos empreiteiros, o governo recuou, suspendendo a medida.

Tal como fora denunciado do referido relatório " a organização política dominada por uma tribo pouco escrupulosa, ávida de poder e proventos que dominava a seu bel-prazer" continuava a justificar o que naquele relatório fora escrito

domingo, 4 de abril de 2010

Acontecimento no ano de 1909(5ªParte)

  • Agosto,2-Grande comício da Junta Liberal entretanto reconstituída
A partir da tomada de posse do governo de Wenceslau de Lima, que a questão religiosa ganhou novo relevo pela actuação do deputado João de Menezes que enviou para a mesa um requerimento onde afirmava desejar interrogar o ministro da Justiça, Francisco de Menezes, acerca do modo como estavam a ser observadas algumas leis que envolviam a Companhia de Jesus num projecto de construção de casas económicas muito querido de D.Manuel II.

A aprovação dessa lei não sossegaria os ânimos, chegando inclusivamente Afonso Costa a pedir a reintrodução das leis de Pombal contra os jesuítas

A Junta Liberal, em reunião decidiu realizar conferências por todo o país, no sentido de realizar uma campanha contra o avanço do clericalismo, iniciada com um comício e cortejo realizados no dia 1 e 2 de Agosto.

Na mesma altura é noticiada outra sessão anticlerical a realizar pelo Grupo Thomaz Cabreira, na qual terá palavra Campos Lima, entre outros, bem como sessões a efectuar nos arredores de Lisboa, organizadas pelo Grémio da Mocidade Liberal, com o mesmo objectivo propagandístico.

  • Agosto,2-Grande manifestação anti-clerical
O comício do dia anterior tivera por objectivo preparar a grande manifestação do dia seguinte, que viria a reunir dezenas de milhar de pessoas, sendo no final aprovado um documento com as seguintes reivindicações :
  • Instituição do registo civil obrigatório
  • abolição do juramento religioso e político e da recitação de orações religiosas em actos da vida civil.
  • promulgação duma lei do divórcio
  • oposição ao decreto de 18 de Abril de 1901 que legalizara as ordens religiosas
  • revogação do decreto sobre a reforma da universidade
  • revogação da lei que favorecia os padres romanos sobre benefícios eclesiásticos
  • reestabelecimento das leis do marquês de Pombal,Joaquim António de Aguiar, José da Silva Carvalho e Anselmo Braancamp, que entre outras coisas, expulsavam os jesuítas, as irmãs da caridade,proibiam as profissões de frade e dissolviam as ordens religiosas, secularização dos cemitérios, para que se pusesse fim à divisão entre católicos e não católicos
  • revogação da lei episcopal que obrigava a pagar aos párocos serviços que ninguém lhe recomendara.
Com este "ligeiro" programa político a manifestação decorreu entre o Largo Camões e o Palácio de São Bento. Com o apoio das organizações políticas republicanas e socialista, maçons e várias associações populares a manifestação contou com cerca de 100.000 manifestantes